Domingo, Junho 07, 2009

GENTILEZA


Gentileza
Marisa Monte

Composição: Indisponível

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta

Domingo, Maio 24, 2009

Gestão de projetos: engodo pra auditoria?

A prática me pôs uma reflexão interessante em destaque outro dia. Numa reunião em que represento uma instituição coordenadora entre outras duas, notei que havia um caminho sutil sendo traçado pelos que represento e do qual não havia me dado conta, que é controlar os outros membros através do recurso de gestão de projetos. Uma espécie de auditoria disfarçada.

Afinal, o que é gestão de projetos? Pelo que estudei, é uma metodologia de acompanhar um trabalho, de modo a não permitir que ele se desconecte de seus resultados. Na verdade, é esse fim, os resultados, traduzidos em diversas metas intermediárias, que fazem a diferença hoje na administração pública: ao invés de perder-se em meios enrijecidos pela burocracia, volta-se para os resultados.

Ou seja, fizemos uma passagem entre um modelo burocrático que priorizava o controle do poder público, a ponto de criar processos longos e muitas vezes sem sentido, para um modelo gerencial que libera os entraves de controle para que se ganhe agilidade e eficiência: fazer mais com menos.

Porém o que percebo no dia-a-dia dos gestores que estão num nível de gabinete é a dificuldade em soltar o osso. Usam o mesmo termo `eficiência` pra justificar ações irracionais que têm um caráter de auditoria, de controle sobre a ação do outro.

É claro que buscar resultados eh uma forma de agir sobre o outro, mas há que lhes dar espaço para proporem. Quando o objetivo é controle tipo auditoria, cada passo deve ser averiguado. Volta-se à era dos carimbos, várias cópias do mesmo e os diversos memorandos e ofícios...

Um gestor de projeto deve confiar na sua equipe e agir como alguém que entende o grupo. Enfim, como parte da equipe que tem o papel de lembra-los do caminho que liga insumos a objetivo, devendo romper empecilhos e auxiliar nas soluções.

Um gestor de projetos não eh aquele que procura os erros e parece torcer por eles, como se seu trabalho fosse medido pelo número de críticas produzidas. Isso é coisa de CPI, e destrói a nova proposta de confiar para alcançar novas estratégias e bons resultados.

Quinta-feira, Março 19, 2009

Há tantas notícias de crime por aí que fiquei e pergutando o porquê dessa quantidade.

Primeiro, o que parece mais óbvio, é que há muita criminaldiade à disposição, logo, os jornais devem noticiar.

Porém, num outro momento, a pergunta que fazemos é: como as pessoas conseguem ler tantas notícias de crimes, sendo que cada uma é mais terrível que a outra? Como tolerar?

Por fim, a grande pergunta: que impacto essas notícias causam?

Conquistar tamanho público para essas notícias - já que esses jornaizinhos SUPER vendem - siginifica que as pessoas estão mobilizadas para reverter esse quadro de violência? É uma forma de pressão contra o governo, reivindicando atitudes contra tanto sangue derramado?

Eu achava isso, até lembrar de um caso. Numa rádio famosa por expor a violência, houve uma entrevista ao vivo com um assassino contumaz, alvo das ações policiais: um menino de 12 anos, que já matara, ameaça matar de novo e, fechando o círculo, também era ameaçado de morte. A rádio expôs a conversa desse menino, ameaçando seu rival, ao vivo.

Que imapcto isso tem? Por que as pessoas paravam pra escutar essas ameaças? Aguardavam resposta do rival ou do governo?

O Ministério Público interviu, noticiando a tal rádio pela atitude. Era um menor de idade sendo exposto e incentivado.

Para esses jovens que matam e morrem, o poder do excesso e do risco são fundamentais para motivar o envolvimento em crimes tão fatais. É uma forma de ser reconhecido, mesmo que seja por uma exposição negativa. Quando uma rádio ou um jornal os denuncia, foi uma forma encontrada de ser tornar visível, como alguém que merece muita atenção, afinal, apresenta risco. Alguém que causa!

Tantas notícias em jornais, rádios, TV são nossa versão moderna do coliseu, quando podemos expor a todos os horrores e vibrar pelo excesso do outro. Uma forma de julgar e viver a violência. Aí, acontece exatamento o efeito contrário ao pretendido pela modernidade: ao invés de apaziguar, as notícias servem para retornar com a violência como forma de entretenimento.

Paramos para ouvir porque nos causa, possivelmente, prazer. Ou no mínimo, não causa mais estranhamento. No entanto, não parece que tantas notícias têm realmente levado a menos vioência.

O processo civilizador fica ameaçado. Pedimos mais força, mais prisão, mais penas. E esquecemos de renovar a convivência em grupo que seja controlada pelo grupo, sem uso de armas.

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Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Matar e cocar, eh soh comecar

Outro dia tive a oportunidade de capinar um lote pro meu pai. Coisa pequena, que me causou dor nas costas, mas que tinha umas plantas já grandes, com mato alto.

Achei muito estranho quando eu via aquela planta muito forte, crescida, dando frutos e tinha que mata-la. Segundo minha irmã, que entende do tema, aquilo era só mato, atrapalhando as outras árvores frutíferas, ou seja, aquelas que realmente nos interessavam.

Mas a sensação de ir com a enxada podar até a raiz, com força, uma linda planta julgada daninha me fez pensar como há uma seleção do que deve morrer e como essa justificativa faz com que, então, eliminemos qq culpa e usemos toda a força pra executar a ação.

Parece bizarro comparar plantas com pessoas, mas capinar me fez pensar em homicídios.

As mesmas pessoas que vivem na área rural e que costumam matar para viver, provavelmente matavam - e ainda matam - a pessoas que são "daninhas" pro seu meio. São casos vários de justiça pelas próprias mãos que ainda na mentalidade de muitos é justificada por ameaçar o equilíbrio.

Com a sociedade moderna, estabeleceu-se que não mais se mata, uma vez que a forma de punição adotada é a prisão, na maioria das vezes. É mesmo um processo de mudança, de pacificação que deve ser internalizado, já que a vida é considerada bem maior que deve ser protegida pelo Estado.

Pois se é difícil internalizar esse novo comportamento, parece haver outros processos na modernidade que vão de encontro com esse processo de pacificação.

A produção em massa faz com que não somente plantas e animais sejam mortos em excesso para saciar nossa fome e nossa gula, mas também as pessoas são mortas futilmente, por exageros de nosso comportamento.

Desde que se passou a produzir em massa, também se destrói coisas (e pessoas) em massa. Além disso, se antes quem consumia é que matava, hoje quem mata nem sempre sabe o porquê do que faz. Simplesmente cumpre uma função banalizada pois deixou de ser refletida.

Matamos plantas, animais e pessoas não por necessidade, mas para saciar prazeres. Esta é a lei maior que parece fundamentar essa atitude. Fica fácil chegar a esse extremo quando a ação se torna irrefletida e rotineira.

Domingo, Janeiro 18, 2009

Antes e Depois

Existe um antes e um depois do dia 2 de janeiro.

O antes era o tempo em que ver jornal com meu pai era difícil porque ele falava o tempo todo, comentando cada notícia e, assim, não deixando que ouvíssemos a próxima.

Era o tempo em que mesmo sempre dizendo primeiro "não", papai repensaria e animaria de fazer algum passeio.

Era o tempo em que eu podia ser brava com ele, motivar-lhe a fazer alguma atividade física por meio da pressão militar.

Era o tempo em que ele talvez moraria numa casa, pra ter cachorro. Mas mesmo não morando, ele ia lá todo dia, ver os passarinhos.

Tempo em que os olhos e a fala estavam sempre prontos pra cantar uma mulher ou invocar tal situação, fazendo raiva na gente.

Tempo de cantarolar sambas e assobiar como os passarinhos.

Mas aí veio o dia 2 de janeiro, um AVC leve, e depois dele, o silêncio tem prevalecido.

Agora ele fala baixo.

Evita falar e não gosta de repetir o que disse porque é difícil.

Diz as palavras com cuidado, tentando acertar de primeira a pronúncia.

Descobriu que está mais velho do que sente e aí, passou a se sentir mais velho do que é.

Tem medo. E nós também.

Mas foi no dia 2 de janeiro. Logo depois de reveillón. O tempo é de esperança.

E é assim que vamos levar as coisas.

Com esperança de que ele ainda vai falar muito na hora do jornal

Esperança que ele vai assobiar pros passarinhos e ter a casa com cahorro.

Mais do que tudo: esperança de que ele vai ver a família cresce.

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Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Ditadura do salto

Há que se travestir em tecidos finos e salto de mesma característica

para entrar no baile.

Rosto de menina, fala medrosa de menina, tensão de iniciante.

Há muito que crescer para entrar na dança.

Se for mesmo onde quero estar...

A melhor receita pra evitar loucuras e alienações

é manter-se consciente de o que se espera dali, pra onde se quer ir

e, acima de tudo, que ali é um papel a se representar, não a sua alma.

Alma não vendi, nem vendo.

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Quinta-feira, Novembro 06, 2008

A necessidade de mudança

Nas poucas frases que li a respeito da “modernidade líquida”, dei-me conta do problema que nós criamos em acelerarmos tantas mudanças, em tentarmos normatizar cada aspecto de nossas vidas, em conciliar previsão com novidade.


Se por um lado planejamos e utilizamos super ferramentas para calcular tudo, por outro lado há uma parte de nós que precisa sempre inovar e defrontar-se com o inesperado. Do contrário, a mesmice gera o tédio!


A vida pode ser simples, como já foi, talvez pelo tempo despendido nas atividades que garantiam o básico: alimentação, educação, arte e prosa- não se pensava que repetir a rotina era tediodo. Afinal, tamanha a convivência das pessoas enchia os espaços da vida e lhe dava significados.


Hoje, com laços fortes sendo mínimos, com os complicados estudos, as complicadas tarefas de trabalho e a tecnologia desafiadora e renovada em pouco tempo, parece que as coisas simples da convivência passada ficaram pequenas demais.


Aí resolvemos criar mais problemas pra nós mesmos. Pedimos mudanças constantemente, pedimos um pouco do imprevisível pra termos com o que nos preocupar. Do contrário, não sabemos o que fazer.


Arrisco a dizer que as relações entre alguns jovens se tornanram tão perigosas, negociando suas próprias vidas por nada, porque sentem necessidade de serem mais intensos; mais vivos. E já não sabem mais como fazer (ou sentir) isso em pequenas doses.


Há que beber demais, dirigir rápido demais, arriscar demais, comprar demais, trabalhar demais... pq não damos conta do silêncio, da natureza em sua simplicidade calma, da vida dos passeios e janelas. É tedioso por ser quieto demais.


Mas o mesmo texto que me inspirou perguntava: “até quando o homem dará conta das suas próprias criações?”. Talvez a necessidade de mudança que nos trouxe até aqui possa ser capaz de ser usada para si mesma.

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Administrando

Minha vida se molda no Project
Com base em cálculo de Excel
Projetados num quadro moldado....

Cadê meu ponto de causa?

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