Transparência na Administração Pública
A Administração Pública já foi desmascarada como atividade não somente técnica, mas também política por envolver ações que concretizem uma vontade de governo. Com essa frase, resumo (muito) toda uma época na história em que muito se discutiu até tal ponto, mas a partir dele, quero propor novas questões.
Se administradores públicos exercem função também política, mas não foram eleitos, há que se questionar:
1- legitimidade de suas ações
2- como controlá-los, no sentido de tornar transparentes suas ações
3- a quem prestar contas (accountability) se não foram eleitos: cidadãos ou governo?
Acredito que se respondida a pergunta 2, imediatamente a pergunta 1 se esclarece, pois transparência garantiria legitimidade. Mas para isso, há que se responder à questão 3, se coerência com plano do governo eleito já legitima indiretamente, ou se a legitimação deve ser com os cidadãos.
Esse último, abre espaço para uma maior garantia de que o contrato entre cidadãos e governo eleito seja reafirmado ao longo do mandato e não somente ao final dele, tal qual os defensores da democracia direta buscam, pela crítica de que os pressupostos de democracia de Robert Dahl são insuficientes.
Portanto, o que temos até aqui: problema de interlocução entre administradores públicos e cidadãos, uma vez que tomei como melhor a opção de que aqueles se legitimem perante estes e não com o governo, evitando outra representação indireta.
Mas como garantir essa interlocução?
A idéia é que os administradores públicos têm informação privilegiada por estarem dentro do governo e por serem técnicos, ou seja, compreendem o processo que executam. Sendo assim, cabe a eles divulgar e explicar o que fazem, fazendo inclusive comparação entre os diferentes governos pelo qual passaram.
Um meio pensado foram jornais, impressos e digitais (blogs), que seriam responsabilidade deste grupo para com a sociedade . Ou seja, surge uma nova forma de organização social: não são sindicatos, partidos ou ONGs, mas funcionários públicos organizados para os cidadãos (que formam o que chamamos de público).
Problemas:
- garantia de que essa informação seja produzida
- parcialidade da informação (apoio ou não ao governo, mistura com ideologias de partidos, etc)
- limite do que pode ser informação veiculada e informação sigilosa.
A resposta que consigo dar às questões é que não há garantia de que haja produção, assim como não há garantia de que alguém lute pelos desabrigados ou pelo meio ambiente, mas, enfim, essas causas surgem à medida que um problema é identificado e uma solução proposta. Caso a idéia pegue, o problema 2 se resolve porque a “oposição” irá querer contestar e, por fim, utilizar dos mesmos ou de outros meios para replicar o que foi dito.
Por fim, o problema 3 já é uma realidade e a Justiça está aí para definir os limites. Mas talvez esse problema esteja mesmo é no que o governo eleito acha que deve ser veiculado ou não, pois ele pode criar meios internos de punição ao administrador que fizer tal ato, como cortar suas chances de promoção. Provavelmente, cai-se no risco de ter jornais com pseudônimos – o que rompe com o controle das informações pelo cidadão - ou terá-se a mesma proteção que jornalistas. Afinal, essa imagem do jornalista cabe bem à idéia aqui proposta: um divulgador das ações que estão sendo executadas e mais do que os resultados (divulgados já pelos governos, quando positivos), terá-se clareza do processo de produção dos mesmos.
Se administradores públicos exercem função também política, mas não foram eleitos, há que se questionar:
1- legitimidade de suas ações
2- como controlá-los, no sentido de tornar transparentes suas ações
3- a quem prestar contas (accountability) se não foram eleitos: cidadãos ou governo?
Acredito que se respondida a pergunta 2, imediatamente a pergunta 1 se esclarece, pois transparência garantiria legitimidade. Mas para isso, há que se responder à questão 3, se coerência com plano do governo eleito já legitima indiretamente, ou se a legitimação deve ser com os cidadãos.
Esse último, abre espaço para uma maior garantia de que o contrato entre cidadãos e governo eleito seja reafirmado ao longo do mandato e não somente ao final dele, tal qual os defensores da democracia direta buscam, pela crítica de que os pressupostos de democracia de Robert Dahl são insuficientes.
Portanto, o que temos até aqui: problema de interlocução entre administradores públicos e cidadãos, uma vez que tomei como melhor a opção de que aqueles se legitimem perante estes e não com o governo, evitando outra representação indireta.
Mas como garantir essa interlocução?
A idéia é que os administradores públicos têm informação privilegiada por estarem dentro do governo e por serem técnicos, ou seja, compreendem o processo que executam. Sendo assim, cabe a eles divulgar e explicar o que fazem, fazendo inclusive comparação entre os diferentes governos pelo qual passaram.
Um meio pensado foram jornais, impressos e digitais (blogs), que seriam responsabilidade deste grupo para com a sociedade . Ou seja, surge uma nova forma de organização social: não são sindicatos, partidos ou ONGs, mas funcionários públicos organizados para os cidadãos (que formam o que chamamos de público).
Problemas:
- garantia de que essa informação seja produzida
- parcialidade da informação (apoio ou não ao governo, mistura com ideologias de partidos, etc)
- limite do que pode ser informação veiculada e informação sigilosa.
A resposta que consigo dar às questões é que não há garantia de que haja produção, assim como não há garantia de que alguém lute pelos desabrigados ou pelo meio ambiente, mas, enfim, essas causas surgem à medida que um problema é identificado e uma solução proposta. Caso a idéia pegue, o problema 2 se resolve porque a “oposição” irá querer contestar e, por fim, utilizar dos mesmos ou de outros meios para replicar o que foi dito.
Por fim, o problema 3 já é uma realidade e a Justiça está aí para definir os limites. Mas talvez esse problema esteja mesmo é no que o governo eleito acha que deve ser veiculado ou não, pois ele pode criar meios internos de punição ao administrador que fizer tal ato, como cortar suas chances de promoção. Provavelmente, cai-se no risco de ter jornais com pseudônimos – o que rompe com o controle das informações pelo cidadão - ou terá-se a mesma proteção que jornalistas. Afinal, essa imagem do jornalista cabe bem à idéia aqui proposta: um divulgador das ações que estão sendo executadas e mais do que os resultados (divulgados já pelos governos, quando positivos), terá-se clareza do processo de produção dos mesmos.
