Domingo, Outubro 29, 2006

Confiança no futuro

Estou aqui terminando monografia e um dos resultados que encontrei foi que poucos jovens têm uma perspectiva de futuro bem amparada, com planos concretos. No geral, são as moças que fazem esse projeto com mais cuidado. Outra coisa que me assustou foi um certo niilismo e até uma tristeza em um jovem em especial que entrevistei. Coloquei a frase dele de abertura na monografia:

"Feliz nunca, não, mas de vez em quando a gente fica".

Isso me fez reparar como eu tenho tendência a ser negativa com meu futuro. Já faço sempre um plano B porque acho que tudo vai dar errado. Acabo me contentando com o médio e deixo de sonhar com grandes realizações, seja por medo de que eu fracasse com cobranças alheias, seja por pessimismo mesmo. Já não acredito nas propagandas de margarina que eu gostava tanto e me faziam querer uma casa linda, com cozinha linda, onde minha família e meus cachorros ficassem comigo; já me imagino com emprego médio, sem grandes atribuições, onde eu vou para ganhar um salário de sobrevivente. Claro que esse salário deve ser suficiente pra que eu me sustente, afinal, meu casamento um dia vai dar errado e eu vou ter que ser independente para não ter que suportar um marido traidor e inconsequente...

Nossa, que medo da felicidade. Ela passa do meu lado várias e várias vezes e eu já fico imaginando quando ela vai acabar. Porque ela sempre acaba. Mas sempre volta também e eu faço questão de esquecer isso!

Enfim, todos já estão carecas de saber isso, os filmes sempre trazem essa historinha, mas estou repetindo, mais uma vez, porque parece que são raros os momentos que a gente realmente acredita nesse chavão: preciso viver os bons dias de hoje, pra que eu não passe meus dias amargando o mal que há de vir e perdendo meus melhores momentos. E quero dizer que vocês que lêem essas minhas historinhas são parte daqueles com quem compartilho esses bons momentos. Vocês sabem disso, né?

Já começo com minhas promessas de ano novo, então: prometo ser menos amarga, mais bem-humorada, mais atenta ao presente e com grandes e imensos planos pro futuro. Inclusive meu projeto de cozinha da propaganda de margarina.

Domingo, Outubro 01, 2006

All we need is love

Outro dia estava reparando nos filmes que gosto, sejam eles baseados em fatos reais ou não, como as grandes mudanças que uma pessoa passa se devem ao amor a alguém. Eu ia dizer que era devido às mulheres que as grandes mudanças se dão, mas sei que vai parecer perseguição. Porém, os filmes comcordariam, já que é sempre uma mulher mudando a vida de um homem ou de uma sociedade! Desde Helena de Tróia, 12 homens e um segredo, Johnny e June, Miame Vice, Casablanca e outros que não lembro agora (me ajudem com a lista) mostram como um homem se transforma por uma mulher.
O melhor mesmo são as histórias reais, de gente comum, que desafiou todas as regras por um amor, enquanto todo mundo chamava aquilo de loucura!
Mas não estou falando isso só para causar uns "ah...que fofo!". Pensar a possibilidade de mudança é que é fantástico!
Escrevo disso depois, mas me ajudem com a lista de filmes ou casos reais.

A democracia faltou à festa

Eu gostaria de conhecer melhor o processo eleitoral de outros países para entender melhor o que se passa aqui no Brasil. Há alguns poucos políticos como JK ou Ulisses Guimarães que agradaram grande parte da população, aproximando-se do que se espera de um "político virtuoso", mas atualmente o que acontece é logo associarmos "político" com "corrupto", "interesseiro" e outros termos menos educados...

Votar se tornou um ritual automático, pouco refletido que, sendo obrigatório, gera uma “negligência negativa”. Parece pleonasmo, mas se conseguir explicar que há uma “negligência positiva”, isso pode se esclarecer.

Imaginem se a eleição não fosse obrigatória. Nesse caso, acredito que muitos dos eleitores que associam político com aqueles xingamentos deixariam de votar, o que faria que muitos votos se perdessem e, com isso, os partidos pequenos sofreriam ainda mais para superar a cláusula de barreira e os partidos grandes teriam que reforçar suas pautas para convencer aos cidadãos que alguma diferença pode ser alcançada ainda com um voto.

Além disso, quando o percentual de votos caísse, seria possível medir o descaso dos eleitores com o processo democrático representativo. Daí a “negligência positiva” por sinalizar para os partidos que o discurso repetitivo, pouco propositivo e muito retórico já não convence mais. Seria o momento de recuperar a confiança na política e nos políticos, pois um partido que busque se firmar no cenário político deveria se preocupar em alcançar novos eleitores e se proteger da perda de outros tantos. Se fosse esse o caso hoje, acredito que o resultado das CPIs e denúncias de corrupção se refletiriam mais na abstenção do que no possível segundo turno. Afinal, protestar contra Lula não é votar no PSDB, mas demonstrar que os grandes partidos, mesmo com as propostas mais aprovadas, não passam confiança.

Nunca imaginei que falaria bem sobre voto opcional, porque acredito que a obrigatoriedade é uma forma de aprendizagem política. Mas feito isso, agora as pessoas estão desiludidas com esse direito de voto e, pior, não encontram outra forma de participação política. Pensando assim, acredito que o fim da obrigatoriedade do voto é um primeiro passo para alertar aos partidos que há necessidade de renovação de propostas e meios de atuação. Um segundo passo é ampliar as formas de participação política, como OPs, e-goverment, redes comunitárias, maior prestação de contas e avaliação dos serviços públicos e até mesmo, aumento da escolaridade (Sim, votei no Buarque, porque mesmo ele sendo fraco para presidente, tinha um discurso sobre ao menos um tema).