Constatações simples

Eu estava lendo um texto do Gianetti para a prova de amanhã e fala da teoria econômica chama "egoísmo ético", que supõe que se todos agirem seguindo seu próprio interesse, todos se sairão bem. A diferença dessa teoria para a de Adam Smith é que este assume tal comportamento como o desejado pelas pessoas, mas não como o desejável. Porém, um tal de Manderlay (lembra do filme?) escreveu uma Fábula das Abelhas para dizer que é este sim o comportamento desejável, pois caso todas as abelhas fossem virtuosas, não haveria mais incentivo para produzir e consumir crescentemente e assim, a colméia ficaria oca.
Gianetti apresenta essas idéias para contrapô-las dizendo que na verdade precisa-se de uma moldura moral até mesmo para garantir um bom funciomento do mercado/colméia. Por exemplo: confiança, regras de combate à usurpação e garantia da competitividade, além do capital humando predito posteriormente por Marshall dão mais resultado que uma desenfreada busca pelo auto-interesses. O próprio Manderlay tende a ir contra suas idéias quando prega punição para mau comportamento (antes preconizado em suas abelhas canalhas assumidas - com outro nome que não lembro agora).
Mais do que boas regras, porém, necessita-se de bons homens, conclui Gianetti.
E dái me pareceu óbvio, mas ao mesmo tempo, não é o que a Ciência Política tem assumido, creio eu.
Logo no 1º período dessa matéria estudamos Maquiavel e sua descoberta da política, por parar de se basear em homens virtuosos, como faziam os gregos. Não é um retrocesso à Grécia que falo aqui. Não são os homens virtuosos, assim como também não são completos canalhas. Mas enfim, tudo é uma questão de aprendizagem, socialização, como também estudamos no 1º período de Sociologia.
Em Antropologia e Sociologia Brasileira, estudamos o povo brasileiro e todas as grandes versões escritas sobre ele, o que nos leva a entender (ou pelo menos tentar pensar) por quê nós brasileiros somos tão avacalhados: descendentes de ladrões e outros criminosos enviados à nova terra, malandros que sempre evocam o "sabe com quem está falando" ou que tentam dar um jeitinho aqui e acolá... Explica, mas não justifica.
Enquanto isso, a modernosa Ciência Política parece ter se resignado à transformação e ter decidido tapar buraco porque suas propostas passam sempre por "reformas" ou um novo "desenho institucional", como se apelar a tais palavras e maquear a forma, transformasse o conteúdo. Enfim, a Ciência Política desistiu de educar e tentar socializar moralmente para simplesmente justificar erros e trapaças como "normal" e "esperado", "devíamos ter sido mais cautelosos em nossas regras"... Como se fosse possível sempre criar outra regra pra consertar um pedaço, enquanto ninguém se preocupa em ir à fonte do problema. (Aliás, a discussão em torno da redução da maioridade penal peca por isso também: querem aumentar as leis ao invés de garantir execução das já previstas. Principalmente das medidas preventivas...)
Mas como socializar moralmente? Isso é mais complicado e eu podia terminar só com a mesma resposta de sempre: escola. Mas esse é só um âmbito e não tem que dar conta de tudo. Outro âmbito está nas próprias relações humanas, que começam com a família, passam pelos amigos, namorados, etc. Nós mesmos nos controlamos, muito com base em tentativa e erro - mas essas são as marcas mais fortes. Podia falar muito, deixa pra outro dia, mas concluo que experiências em grupos diversos, viver a diferença pode ser um bom jeito de aguçar nossa moral.
PS: sim, eu tenho implicância com o chavão "instituições bem-desenhadas" da C.P.! Por mais que eu não negue que elas tenham um efeito sobre as pessoas, são as pessoas que mantêm ou não esse "bom desenho"!

