Domingo, Maio 27, 2007

Políticas Públicas para Juventude

Alguns teóricos que estudam o recente tema da juventude e sua ligação com políticas públicas sempre enfatizam que a leitura do jovem feita pelos governos é de um grupo “problema”.

Superar a fragmentação anterior não é, no entanto, o único desafio. Trata-se de romper com dois aspectos das orientações que têm marcado as ações federais nos últimos anos: o primeiro diz respeito à total ausência dos jovens na formulação das políticas; o segundo incide sobre a capacidade do governo federal de fomentar uma concepção abrangente dos jovens como sujeitos de direitos, de modo a desconstruir arraigadas formulações que reiteram o tema do controle dos jovens e de sua identificação como problemas sociais” (SPOSITO, 2003, p. 72).

Na Sociologia, essa imagem do jovem surge com a Escola de Chicago, em 1930, quando se propuseram a estudar as gangues. Também jovem como “estudante” foi outra leitura comum feita por governos e sociedade em geral. No entanto, atualmente o conceito se ampliou, mas, segundo os mesmos teóricos brasileiros, sofre dificuldade de se impor à agenda política.

Helena Abramo é uma dessas expoentes. Segundo ela, mesmo não tendo grande experiência com políticas públicas de segurança, ela acredita que a leitura que se faz é inversa à que deveria ser feita: as políticas pensam o lazer como maneira de combater a violência, quando o lazer é um direito e, talvez por esse direito não ser garantido,ocorra a violência. Mas quando os programas de violência passam a usar essa estratégia para afastar o jovem da rua, onde há o risco – mas ao mesmo tempo onde é espaço de identificação e construção cultural – o foco na causa da violência fique distante.

Mesmo acreditando que os teóricos têm razão em fazer essa crítica sobre como o Estado enxerga seus jovens, à medida que são políticas públicas de segurança que chegam aos jovens, há aí tanto uma chance para a mudança de reconhecimento desse grupo, como também os teóricos têm que olhar mais de perto o marco teórico das políticas de segurança, a fim de perceberem se é mesmo a concepção de jovem “problema” que está sendo difundida. Para defender esses 2 pontos, basearei-me no Fica Vivo, política do estado de MG para redução de homicídios entre jovens.

Mudança de concepção

Uma vez que o estado banca uma larga estrutura de manutenção de atividade de lazer, cultura, artes e capacitação profissional, chamada “oficina” pelo programa Fica Vivo, os jovens de periferia, de uma forma ou de outra, recebem grande parte das políticas que tanto se reivindica para a juventude. Para eles, nem sempre faz diferença se é uma secretaria de segurança ou de cultura que banca tais oficinas. O que importa é que as atividades continuem, independente sob gerência de qual programa. Pela própria lógica política, se uma ação governamental é bem repercutida, retira-la ou elimina-la é um custo político muito alto. Logo, essas atividades devem se manter. Além disso, a Ciência Política traz o conceito de “janela de oportunidade” para definir um momento ideal para de apresentar uma reivindicação e inseri-la na agenda política. Para os grupos organizados de juventude, que batalham por atividades de cultura, lazer, arte e capacitação profissional, esse é o momento de fazer frente ao governo e mostrarem-se como sujeitos de direito e não grupo “problema”.

No entanto, é preciso olhar mais de perto o marco teórico do programa para pensar se tal concepção já não está valendo.

Marco teórico

O Fica Vivo entende que a violência é um processo que reflete problemas históricos, voltados especificamente para um grupo: jovens pobres e negros, em geral. Sendo assim, esses jovens são vítimas e não somente algozes. Após anos de falta de política, não é mais a polícia que surge para reprimir e tentar calar a força esse grupo, sem olhar as causas profundas do problema.

O Fica Vivo se propõe a levar direitos e deveres a esses jovens, propondo uma re-socialização nas regras, que nem sempre estão prontas e pré-definidas. O discurso é construído junto, na ponta, quando jovens lideranças e protagonistas são incentivados e se tornarem autônomos e levarem debate sobre juventude – e segurança – para toda a comunidade. O debate sobre segurança passa por essa mobilização e articulação em rede, porque é a concepção de violência como desarticulação e desorganização que está presente. Logo, quando se criam lideranças juvenis, elas se tornam multiplicadoras de novos valores e regras: a re-socialização está em curso, por parte dos próprios jovens.

Uma prova disso é a fala de um jovem do grupo de mobilização que se tornou referência em sua comunidade até mesmo para os jovens envolvidos no tráfico. Quando um deles teve sérios problemas com a justiça e polícia, ele não recorreu ao traficante ou outro representante da criminalidade local, mas sim o jovem do grupo de mobilização. Ou seja, a referência de poder do tráfico foi ameaçada pela referência de protagonismo de rede do outro jovem.

Se a hipótese de Zaluar é verdadeira sobre o tráfico, que diz que muito do seu poder está além de oferta de renda, mas do poder simbólico conferido a seus membros, agora outro grupo de poder simbólico está concorrendo com o primeiro, nas comunidades onde o Fica Vivo atua.

Enfim, muito antes de reafirmar o jovem como problema, o programa demonstra que uma política pública de segurança é capaz de entender esse grupo exatamente através de uma nova concepção de jovem, defendida pelos teóricos da área: um grupo de direitos e com especificidades que passam por uma forte afirmação de identidades culturais, étnicas, de gênero e de ideal político.

Cabe perguntar, contudo, se essa concepção de jovem é a mais eficaz para uma política pública de segurança, mas certamente há um consenso político de que os direitos desse grupo devem ser garantidos.

Terça-feira, Maio 22, 2007

Boas notícias

Se aqui se chama "publicidade positiva", está faltando uma divulgação de coisas boas!

Pois então, fico feliz em dizer que descobri que no estado de MG, já está funcionando a Auditoria de gestão.

O objetivo é avaliar a fundo os projetos estruturadores (aqueles considerados primordiais pelo governo), a ponto de tanto verificar os processos burocráticos, como ir na ponta e verificar se o serviço foi mesmo feito, a satisfação do beneficiário e sugerir melhoras!!

Achei muito legal o trabalho apresentado por um fincionário, em visita à FJP, mas o único problema é que o relatório final não é publicado... a não ser que o governador decida, mas como muitos projetos estão sendo questionados, dificilmente vamos saber o que está acontecendo. De toda forma, de desavisado o governador não poderá se justificar.

Outra coisa: para qualquer denúncia referente a serviço estadual, há o site da Auditoria com esses espaço

http://www.auditoria.mg.gov.br/

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Quarta-feira, Maio 16, 2007

A la francesa

Na Revolução Francesa ficou famoso o lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

O valor que se dá a cada um destes representa a fase em que uma sociedade se encontra, penso eu. é possível resumir em três etapas evolutivas:

- Liberdade como reconhecimento da individualidade;
- Igualdade já obriga a reconhecer que há outros indivíduos, com os quais se compartilha direitos. Acho que estamos aqui, mas falta a terceira...
- Fraternidade, que nos obriga a reconhecer que esse outro, além de ter os mesmos direitos, é alguém com quem TEMOS que conviver.

É diferente, portanto, porque somente nesta fase nos abrimos para a convivência em grupo. Antes, vivíamos fechados com nossos problemas e sabendo que os outros também o tinham. Mas a proposta de agir sobre o outro advém de uma fraternidade reconhecida. A origem da palavra remete a irmão, certo? É algo que a religião tenta suprir, mas que deveria já ser reconhecido como condição de humanidade, independente de qualquer crença.

Terça-feira, Maio 01, 2007

Quase uma foto


Hoje tive a chance de testar aquela frase "é como aprender a andar de bicicleta - a gente nunca esquece". Pois tinha anos que eu não andava de bicicleta e hoje eu consegui de novo, em Viçosa, que com aquele campus esverdeado te convida a um momento Amelie Poulain!

No começo, fiquei meio cambaleante e ainda acho difícil manter o guidom em linha reta, mas foi tão bom! Lembrei do Doido, que é craque na pedalada e ri de mim freiando nas descidas! Hahaha

Também lembrei da Cris dizendo como é bom nós concluirmos que a qualquer momento da vida podemos aprender algo novo. Eu estou aprendendo a tentar e ter menos medo de cair.

(site da foto: http://www.casadasartes.com.br/sala1/artista5.htm)

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