O que encontrei no Acre
Em meio a tanta turbulência, cheguei ao Acre sem muito saber o que fazer lá. Havia um projeto, claro, mas a prática eu não conseguia visualizar com clareza. Imaginava somente que seriam encontros eternizados.
Foi mesmo. O melhor que encontrei por lá foram as pessoas que conheci: sejam aquelas que nos visitavam sempre, aquelas que faziam festa conosco ou mesmo os colegas de sala, que lá pude ver de perto e gostar de conviver. Dividir uma casa, ou melhor, uma creche, com cerca de 19 pessoas - além das constantes visitas - foi uma boa experiência! Além de lidar com situações engraçadas, como só ter 2 banheiros, encontrar ratos, aranhas, tomar só banho gelado, era uma alegria e uma agitação que inverteram minha lógica cotidiana.
Tanta alegria nos carregou de energia a ponto de suportar dormir tarde, semi-bêbados, acordar cedo e ainda ter que aguentar uma longa viagem de volta, com direito a atrasos e avião que caiu peça em pleno ar! Mas tudo bem, voltei nova. O Acre foi um click. Daquelas viagens que fazem sua ficha cair.
São tantas coisas passando em alta velocidade pela minha cabeça que nem consigo mais escrever aqui. Não há ainda o que dizer de novo, somente reviver o que aconteceu. Não vivi lá o que esperava, mas pude encontrar comigo e me ver de longe. Um grupo em sua maioria desconhecido somado a uma agenda sem rotinas te faz ver quem você é e como você age.
Encontrei alguém que não conhecia em mim e que não gostei de conhecer. Como dizia muitas vezes às meninas quando tiravam uma foto que eu não gostava "não quero ser essa". Foi bem assim mesmo em certos momentos em que me vi: não queria ser daquele jeito, sendo que me supunha tão diferente! Qaunta cegueira... Mas também tive outras surpresas. Foi bom descobrir que mesmo sofrendo com o choque de me enxergar, há algo que é meu que faz bem aos outros. E assim me faz bem.
Desses dias todos, guardo muita saudade de todos. Dos encontros comigo, espero que resultem mudanças. E que haja outras viagens nas quais, aos poucos, vou encontrar mais fotos em que vou querer ser eu mesma. Espero dias mais cheios de gente e de menos rotina.
Marcadores: Do lado de cá
