Só uma foto
Ir ao cinema sozinha nunca foi problema, nem mesmo quando ela realmente não tinha ninguém. Era passar pela fila, comprar ingresso, sentar-se no escuro e sair logo depois, quando todos ainda estão tocados pelas cenas e mal olham para os lados. Quase invisível e preenchida de emoções, já que nada mexe mais com ela do que um bom filme, voltava pra casa despercebida. Sempre pode se achar parecida com a persongem que mais gostou logo depois do filme, de um jeito que parece que as sensações incorporam no seu rosto com facilidade.
Mas aquele dia era um festival especial e havia cobertura da imprensa. Pensando que ia ficar ainda mais escondida em meio a todo tumulto para pegar ingressos gratuitos para os filmes, eis que percebe uma insistência de uma câmera. Ele tirava fotos dela de tempos em tempos: na fila, segurando o ingresso, esperando a hora de entrar...
Meio ruborizada por ter perdido a capa da invisibilidade, primeiro finge não ligar, mas dada a insistência, não suporta e pede pra ele parar. O outro, até então sério, sorri e mostra o rosto até então escondido pela câmera.
"Mas você é tão bonita!"
Ela passa de vermelha pa roxa e mal crê que aquele rosto incomum, mas tão bonito e simpático lhe dirige essas palavras. Pensa mil respostas: mulher fatal "me dá seu endereço pra eu conferir como ficaram depois"; humilde "imagina". Mas tudo que faz é sorrir de volta, olhando naqueles olhos. Era óbvio. Conexão compartilhada.
Ela que se preocupou se os outros tinham reparado nela, vê que o movimento do mundo seguia independente e naquele momento, sentiu muito que as pessoas tenham perdido uma cena de filme, bem ali do lado de fora das salas de projeção.
Mas aquele dia era um festival especial e havia cobertura da imprensa. Pensando que ia ficar ainda mais escondida em meio a todo tumulto para pegar ingressos gratuitos para os filmes, eis que percebe uma insistência de uma câmera. Ele tirava fotos dela de tempos em tempos: na fila, segurando o ingresso, esperando a hora de entrar...
Meio ruborizada por ter perdido a capa da invisibilidade, primeiro finge não ligar, mas dada a insistência, não suporta e pede pra ele parar. O outro, até então sério, sorri e mostra o rosto até então escondido pela câmera.
"Mas você é tão bonita!"
Ela passa de vermelha pa roxa e mal crê que aquele rosto incomum, mas tão bonito e simpático lhe dirige essas palavras. Pensa mil respostas: mulher fatal "me dá seu endereço pra eu conferir como ficaram depois"; humilde "imagina". Mas tudo que faz é sorrir de volta, olhando naqueles olhos. Era óbvio. Conexão compartilhada.
Ela que se preocupou se os outros tinham reparado nela, vê que o movimento do mundo seguia independente e naquele momento, sentiu muito que as pessoas tenham perdido uma cena de filme, bem ali do lado de fora das salas de projeção.
Marcadores: arranhados

3 Comentários:
Reparou que no meio do conto você passou a sintaxe da terceira pessoa do singular para a primeira pessoa do singular?
Ops...corrigido. Aí meu ego passa despercebido...
Foto interessante de um momento interessante.
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Início