Se eu morasse numa ilha (de mercado)
Viajei pra Buenos Aires e um dia, no albergue, o irmão do dono comentava que já havia morado por toda Argentina. Fiquei impressionada com a vida nômade e ele, como interpretando minha cara de espanto, completou: "sei hacer um pouco de todo, por isso é fácil mudar". Ele é engenheiro agrônomo, mas suas habilidades parecem ir além daí porque ele já fez de tudo.
Invejei mesmo! Se eu fosse pra uma ilha (com mercado), viveria de quê? Além de alimentar a burocracia, o que eu sei fazer???
Desde então eu ando me questionando sobre minhas habilidades: não sei cozinhar, não sei contar piada, nem fazer mágica e não danço tão bem para ganhar uns trocados com apresentações na rua. Não sei consertar nada (apesar da minha família achar que entendo de eletrônico, só porque leio manual), não sei fazer unha dos outros, não toco nada e ainda por cima, lavo mal as vasilhas. Podia limpar banheiro...
Daí resolvi aprender habilidades simples, básicas, manuais. A primeira vai ser cozinhar. Escrever também seria uma boa. Tipo Amor nos tempos do cólera, onde o protagonista escrevia cartas de amor para os outros. Vou tentar desenvolver essas habilidades. Mas infelizmente, acho que escrevo melhor sobre amor quando é pra falar do fim dele.... sofrimento inspira, né?
Essas faltas me remetem à minha velha questão pessoal: qual minha identidade? As pessoas me reconhecem pelo quê? Eu me apresento como?
Num curso que acompanho no trabalho, os jovens foram divididos em grupos: aqueles que dançam, aqueles que cantam, aqueles que grafitam e os que são da comunicação e mobilização. Eu não sou de grupo nenhum!!!! E nem parecia um problema, até que percebi que toda a interação com os jovens se dava baseado nesses grupos em que eles se apresentavam. "A periferia também tem coisas boas, vide seus grupos culturais".
Eu ando pensando que classe média é a mais podre mesmo: não tem nada que a marca, porque ela só compra tudo. Como o Calligaris escreveu outro dia: liberdade não é ter mil opções para escolher, mas poder construir o que se deseja.
Pois é, vou me afrimar pela construção. Vou aprender umas habilidades, vou ter uma identidade e vou ser livre! Projeto de 25 anos!
Invejei mesmo! Se eu fosse pra uma ilha (com mercado), viveria de quê? Além de alimentar a burocracia, o que eu sei fazer???
Desde então eu ando me questionando sobre minhas habilidades: não sei cozinhar, não sei contar piada, nem fazer mágica e não danço tão bem para ganhar uns trocados com apresentações na rua. Não sei consertar nada (apesar da minha família achar que entendo de eletrônico, só porque leio manual), não sei fazer unha dos outros, não toco nada e ainda por cima, lavo mal as vasilhas. Podia limpar banheiro...
Daí resolvi aprender habilidades simples, básicas, manuais. A primeira vai ser cozinhar. Escrever também seria uma boa. Tipo Amor nos tempos do cólera, onde o protagonista escrevia cartas de amor para os outros. Vou tentar desenvolver essas habilidades. Mas infelizmente, acho que escrevo melhor sobre amor quando é pra falar do fim dele.... sofrimento inspira, né?
Essas faltas me remetem à minha velha questão pessoal: qual minha identidade? As pessoas me reconhecem pelo quê? Eu me apresento como?
Num curso que acompanho no trabalho, os jovens foram divididos em grupos: aqueles que dançam, aqueles que cantam, aqueles que grafitam e os que são da comunicação e mobilização. Eu não sou de grupo nenhum!!!! E nem parecia um problema, até que percebi que toda a interação com os jovens se dava baseado nesses grupos em que eles se apresentavam. "A periferia também tem coisas boas, vide seus grupos culturais".
Eu ando pensando que classe média é a mais podre mesmo: não tem nada que a marca, porque ela só compra tudo. Como o Calligaris escreveu outro dia: liberdade não é ter mil opções para escolher, mas poder construir o que se deseja.
Pois é, vou me afrimar pela construção. Vou aprender umas habilidades, vou ter uma identidade e vou ser livre! Projeto de 25 anos!
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