Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Se eu morasse numa ilha (de mercado)

Viajei pra Buenos Aires e um dia, no albergue, o irmão do dono comentava que já havia morado por toda Argentina. Fiquei impressionada com a vida nômade e ele, como interpretando minha cara de espanto, completou: "sei hacer um pouco de todo, por isso é fácil mudar". Ele é engenheiro agrônomo, mas suas habilidades parecem ir além daí porque ele já fez de tudo.

Invejei mesmo! Se eu fosse pra uma ilha (com mercado), viveria de quê? Além de alimentar a burocracia, o que eu sei fazer???

Desde então eu ando me questionando sobre minhas habilidades: não sei cozinhar, não sei contar piada, nem fazer mágica e não danço tão bem para ganhar uns trocados com apresentações na rua. Não sei consertar nada (apesar da minha família achar que entendo de eletrônico, só porque leio manual), não sei fazer unha dos outros, não toco nada e ainda por cima, lavo mal as vasilhas. Podia limpar banheiro...

Daí resolvi aprender habilidades simples, básicas, manuais. A primeira vai ser cozinhar. Escrever também seria uma boa. Tipo Amor nos tempos do cólera, onde o protagonista escrevia cartas de amor para os outros. Vou tentar desenvolver essas habilidades. Mas infelizmente, acho que escrevo melhor sobre amor quando é pra falar do fim dele.... sofrimento inspira, né?

Essas faltas me remetem à minha velha questão pessoal: qual minha identidade? As pessoas me reconhecem pelo quê? Eu me apresento como?

Num curso que acompanho no trabalho, os jovens foram divididos em grupos: aqueles que dançam, aqueles que cantam, aqueles que grafitam e os que são da comunicação e mobilização. Eu não sou de grupo nenhum!!!! E nem parecia um problema, até que percebi que toda a interação com os jovens se dava baseado nesses grupos em que eles se apresentavam. "A periferia também tem coisas boas, vide seus grupos culturais".

Eu ando pensando que classe média é a mais podre mesmo: não tem nada que a marca, porque ela só compra tudo. Como o Calligaris escreveu outro dia: liberdade não é ter mil opções para escolher, mas poder construir o que se deseja.

Pois é, vou me afrimar pela construção. Vou aprender umas habilidades, vou ter uma identidade e vou ser livre! Projeto de 25 anos!

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Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

Produção de humanos


Relendo textos para monografia, vejo como é intrigante - principalmente para os americanos - já há um tempo por que alguns entre tantos quebram regras e se tornam criminosos. É mesmo uma pergunta interessante, já que remete ao início: em que momento algumas pessoas dentro de uma mesma sociedade decidem por se diferenciar cometendo crimes e até mesmo utilizando da violência?

Simplificando, há dois grandes grupos de análise do fenômeno: aqueles que se remetem aos funcionalistas para explicar o fenômeno, e aqueles que falam do interacionismo simbólico.

Os funcionalistas mais clássicos são os que crêem que há um método e uma regra geral para todos e, quando alguns não se encaixam, violam o estabelecido. Sociedade seria como um corpo que deveria ter seus órgãos em harmonia para um bom funcionamento, porém, quando um órgão funciona mal, causa uma "anomia", situação anormal e que atrapalha o funcionamento do todo. O bom disso tudo é pensar que a disfunção causa um movimento em todo o grupo para recuperar a harmonia.

Gosto de pensar a violência como um alerta do grupo para com alguns de seus membros No entanto, as coisas não são bem assim: nem na parte em que somos um único corpo, nem na parte em que nos mobilizamos pelo problema de alguns ( a violência bem escondida não afeta ninguém. Problema é quando as balas ficam de longo alcance).

Há ainda uma corrente funcionalista que permanece: o que determina nossas atitudes está muito ligado aos nossos valores que são transmitidos na nossa socialização: desde a primária- em casa- passando pela secundária- escola, igreja- até a terciária, que é a comunidade e outras instituições com que convivemos. Acho essa idéia válida, mas as coisas não ficam só por aí...

Alguns pesquisadores americanos perceberam que a criminalidade se concentrava em alguns locais, ao invés de ter uma distribuição normal pela cidade. Assim, surgem teorias ecológicas para explicar o crime, que conectarão o comportamento das pessoas ao local em que vivem. Muito aceita e utilizada esta teoria no Brasil, com o argumento de que assim não se estigmatizam pessoas com "dadas características", acho essa teoria uma pista, mas insuficiente se não conectada a outras. Afinal, por quê as variáveis descobertas pelos pesquisadores (pobreza, rotatividade, mistura étnica) propiciam maior criminalidade?

Outra forte corrente, dado seu maior embasamento, é o interacionismo simbólico: o comportamento das pessoas se dá pela interação com outros indivíduos, determinando qual papel cada um representa. Algumas regras traçam qual papel assumir de prontidão, de modo a não cair sempre em situações inusitadas, mas a mudança é um processo que ocorre ao longo das diferentes maneiras de se agir, já que nem tudo pode ser previsto. Enfim, eis a liberdade de ação que tanto fazia falta por aqui.

Se os funcionalistas acertam em perceber que um grupo tem padrões, acho que os interacionistas abrem espaço para questionar que a produção de humanos não dá pra ser delimitada: nós transbordamos! E se há flexibilidade, a violência pode aumentar e diminuir em um tempo não muito longo. Enfim: que caminhos riscamos ao transbordar?

(Problema: interação pra mudança, penso, acontece mais facilmente quando grupos diferentes se encontram. Mas isso não é comum. A cidade é dividida de um modo que quando os grupos se encontram, geralmente têm papel de distância pré-estabelecida: patrão-empregada; advogado-criminoso; funcionário-cliente. Mas onde nos encontramos com mais liberdade de ação? Com igualdade? A cidade não costuma oferecer isso. Não é à toa que a criminalidade se distribuirá de forma desigual: os diferentes papéis a se desempenhar têm endereço. Mas aqui fico confusa e vou parar. Coisas ainda a se pensar).

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Terça-feira, Janeiro 08, 2008

Reclame aqui!

Descobri esse site (recebi na lista da Administração pública).

Vc reclama e o site contata a empresa dita-cuja e publica tudo! Para evitar nome sujo na internet, a empresa acaba respondendo pela reclamação.

Vale conferir: http://www.reclameaqui.com.br/