Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Mundos distantes

Li um livro chamado a Distância entre Nós e me lembrei dele esses dias, quando vi O Caçador de Pipas, que aliás, ficou muito bom e não estragou o livro.

A distância entre nós fala de duas famílias indianas: uma representada por uma senhora de alta casta, sua filha e genro; a outra, por uma outra senhora e sua filha, de uma casta inferior e que trabalhavam para a primeira.

O livro é muito bom porque narra o pensamento dessas duas matriarcas e, apesar das diferenças de casta, em seus pensamentos elas eram muito próximas.

Assim como no Caçador de Pipas, o livro sobre as indianas mostra como dois grupos culturalmente afastados pela posição social de sua casta ou etnia podem conviver juntos. Hassan e Amir crescem unidos e enfrentam o preconceio da época de que não poderiam ser próximos assim. O mesmo acontece no caso das indianas, que para estranhamento dos outros, tinham uma proximidade e um respeito uma pela outra.

Porém, também nos dois casos, a história acaba levando a situações em que os personagens se afastam e A distância entre eles se confirma. Em ambos os casos, isso se dá quando um fato mais grave confronta o personagem de elite: quando o mundo impõe uma escolha entre o privilégio ou a mudança, opta-se pelo primeiro. O outro personagem, crente da lealdade de uma amizade, entende então que fatores socias pesam mais que os individuais.

Afinal, por mais que se queira mudar, o início é uma decisão individual, mas o momento de enfrentar o mundo e insistir que seu pensamento é válido, apesar de todos irem contra, não é uma prova fácil. Uma mesma pessoa convive com indivíduo e sociedade dento de si, mas creio ser impossível enfrentar por muito tempo uma discordância entre ambos. Por isso mudar é difícil, caso o ambiente não se altere.

No livro sobre as indianas, a história termina neste impasse entre privilégio ou mudança. Porém, na história de Amir e Hassan, ainda há continuidade e a história dá esperança de que o passado deixa suas marcas, ensina e fortalece para o novo.

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Filme: A vida dos outros


Acabei de ver e gostei muito! Fala da República Democrática Alemã e a vigilância exercida pela Stasi, a polícia secreta do regime vigente à época da Guerra Fria.

Mais ainda, fala da mudança possível das pessoas e de esperança.

Nunca me defrontei com essa pergunta: as pessoas mudam? Acho que isso não me preocupou ainda. Mas imagina só: se não mudassem, que graça tem imaginar o futuro? Que esperança poderíamos alimentar?

Muitos pesadelos, que só imaginamos por relatos históricos, tornaram-se passado. Espero que muita coisa atual também possa ser real somente nos livros de História. E logo.

Pobreza, violência, medo de aquecimento global... já duraram tempo suficiente, não é? Quantos precisam assumir essas causas para que elas sejam enfrentadas?

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