Sexta-feira, Junho 27, 2008

Do indivíduo pro coletivo 3

E novamente as notícias de jornal de lembram dessa passagem. Agora, com o preço dos alimentos em alta e toda a discussão sobre fontes alternativas de energia, vi duas declarações que parecem as mais óbvias, mas certamente são as menos proclamadas pela veracidade da análise.

Dois estudiosos do tema, um jornalista e outro antropólogo, disseram na Folha que substituir petróleo por biocombustível é outra solução temporária. Na verdade, o grande problema do aumento dos preços se dá pelo consumo excessivo que, caso não controlado, não haverá fonte de recursos que o sustente.

E como deter consumo nesses tempos que vc não compra pq precisa, mas pq as coisas são lindas? Que comemos e bebemos muito mais do que precisamos porque o acesso é fácil e sair com os amigos é sinônimo de fartura?

Mudar de hábito é complicado, pricnipalmente se as atitudes tidas como mais comuns - comprar, gastar- é que precisam ser revistas. Não há planeta que suporte tanto consumo.

Um começo pra mudar pode ser entender que necessidade é essa de ter tanto, sem que nem se crie momentos de usar o que se tem. Comprar e comer são mais importants que sair com seus amigos? E eles ligam mesmo pras suas coisas novas?

Adorei a idéia que tá rolando de trocar coisas e fazer ouras por sua própria conta. Produzir e trocar unem muito mais que a simples compra. Há prazeres maiores se a gente se permite tentar e ousar. Recuperar a criatividade.

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Do indivíduo pro coletivo 2

Então, eu vi outra análise dessa passagem que me chamou a atenção, Além da política, nos relacionamentos isso anda bem difícil de se fazer.

A Rosely Sayão escreveu sobre isso no dia 12 de junho (também no blog dela, texto do dia 13 de junho: http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/) e achei bem pertinente quando ela diz que o grande desafio atual é "conciliar individualidade com interdependência".

Ao mesmo tempo que ninguém parece querer ficar só, entramos num relacionamento preocupados em manter uma característica própria, alguns gostos, uma liberdade mínima. Eu, pelo menos, sempre fico me questionando qual a proporção que devo ceder porque relacionar-se é isso, ao mesmo tempo em que fico preocupada em me apagar ou deixar ser conduzida... pra uma aquarianA, então, isso é um medo terrível: perder minha identidade e minha autonomia. Na verdade, fazer planos em conjunto é uma coisa muito difícil pra mim, já que em várias áreas - trabalho, escola, família- o que aprendi foi que, atnes de tudo, uma mulher deve saber se virar sempre, com ou sem um homem ao lado.

Por outro lado, se os tempos passados deixaram esse recado-principalmente para as mulheres-, é muito ruim viver já na expectativa de que uma vida compartilhada vai terminar. Ou trabalhar pensando que é o esforço individual que deve prevalecer. Torna-se um desafio enorme viver com o outro e se antes era necessário fazer surgir o indivíduo, hoje volta a necessidade de retomar a crença no coletivo. Daquele tripé da Revolução Francesa, parace que só lembramos de um: liberdade. Mas sem igualdade ou, mais ainda, sem a tão esquecida fraternidade, ficamos sem o apoio suficiente.

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Sexta-feira, Junho 20, 2008

Do indivíduo pro coletivo

Vi esse tema desenvolvido de vários jeitos - seja para relacionamentos, seja para política- e acho este um grande desafio dos tempos atuais.

Lembro de ter estudado que nas sociedades antigas o coletivo se sobrepunha ao indivíduo: não havia o único, mas o de todos e a identidade era a do grupo. Cada um se reconhecia pelo grupo que participava, cada idade, sexo tinha suas funções e tudo se conectava a manter o coletivo. Já nas sociedades modernas, surge o indivíduo! Cada um deve se esforçar para produzir e manter-se no mundo, onde se dá melhor aquele que batalhar mais, como prega a lógica protestante. Surgem os direitos individuais, a psicologia e nova lógica de ao invés de contemplar, produzir! Mas isso é outra história...

A política é um local que consegue captar bem esses dois lados: indivíduo e coletivo.

Há que se selecionar alguns para serem representantes de todos. Para que uma pessoa se candidate a ocupar tal função, ela deve se julgar capaz de poder falar por todos. Ao menos em algum ponto ele deve se achar mais capaz que os outros para decidir pelo coletivo: seja por alguma sabedoria maior, seja por ter mais recursos ou que critério for mais importante.

Agora imagina como deve é difícil fazer a transição para um modelo político participativo. Como alguém que se acha na condição de ocupar um cargo com privilégios, decidir por todos, de repente entende que não é mais assim, mas que todos devem poder dizer o que querem.

Mais que uma mudança no todo, isso exige uma mudança pessoal. Teremos que rever o nível de individualismo a que chegamos, onde reconhecemos algumas pessoas mais capazes que outros por critérios um tanto... questionáveis (o que se compra, que imagem tem) para retomarmos a idéia de agir coletivamente.

Talvez nem nas sociedades antigas fosse assim, já que havia as pessoas responáveis pela decisão da comunidade. Mas havia, no mínimo, uma maior facilidade de reunir todos para uma ação conjunta. E hoje?

Antes dessa etapa, há que se garantir determinadas igualdades e o reconhecimento deste valor deve ser o primeiro a ser conquistado: caso continuemos pensando que somente alguns têm pré-condição de escolher, fica difícil romper barreiras para um modelo participativo. Ao mesmo tempo, supondo que todos têm o direito de escolher, o que se pode fazer para que esta escolha seja a mais refletida possível? Que instrumentos se deve garantir para que mesmo na participação não haja sérias desigualdades?

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