Quinta-feira, Outubro 30, 2008

Cervejas

Preciso da sua companhia

dos seus ouvidos pacientes

e do seu perdão

Sua amizade e principalemente,

Da sua compreensão desse tanto que se processa em mim

Dessa urgência que emergencia em mim.


Eu sou mil sensações que explodem

a troco de algumas cervejas

Eu sinto e pra dizer disso, eu falo.

Escuto pouco, mas seleciono.


E sofro.

Sofro com a intensidade que é provocada por esse pouco

O pouco que se tornou meus dias

8h numa rotina que parece inocente

Mas que tomaram minha alma.


Como cheguei aqui?

O que faço aqui?

E onde eu quero chegar?

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Domingo, Outubro 12, 2008

Só uma foto

Ir ao cinema sozinha nunca foi problema, nem mesmo quando ela realmente não tinha ninguém. Era passar pela fila, comprar ingresso, sentar-se no escuro e sair logo depois, quando todos ainda estão tocados pelas cenas e mal olham para os lados. Quase invisível e preenchida de emoções, já que nada mexe mais com ela do que um bom filme, voltava pra casa despercebida. Sempre pode se achar parecida com a persongem que mais gostou logo depois do filme, de um jeito que parece que as sensações incorporam no seu rosto com facilidade.

Mas aquele dia era um festival especial e havia cobertura da imprensa. Pensando que ia ficar ainda mais escondida em meio a todo tumulto para pegar ingressos gratuitos para os filmes, eis que percebe uma insistência de uma câmera. Ele tirava fotos dela de tempos em tempos: na fila, segurando o ingresso, esperando a hora de entrar...

Meio ruborizada por ter perdido a capa da invisibilidade, primeiro finge não ligar, mas dada a insistência, não suporta e pede pra ele parar. O outro, até então sério, sorri e mostra o rosto até então escondido pela câmera.
"Mas você é tão bonita!"

Ela passa de vermelha pa roxa e mal crê que aquele rosto incomum, mas tão bonito e simpático lhe dirige essas palavras. Pensa mil respostas: mulher fatal "me dá seu endereço pra eu conferir como ficaram depois"; humilde "imagina". Mas tudo que faz é sorrir de volta, olhando naqueles olhos. Era óbvio. Conexão compartilhada.

Ela que se preocupou se os outros tinham reparado nela, vê que o movimento do mundo seguia independente e naquele momento, sentiu muito que as pessoas tenham perdido uma cena de filme, bem ali do lado de fora das salas de projeção.

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Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Mais do mesmo (enquanto tenho algum distanciamento)

Estou descobrindo que no ambiente em que somos provocados a darmos o máximo de nós, o que sobra é espaço pra picuinhas que não vivi nem nos tempos de escola. O poder está mais difundido, então é mais difícil construir a partir de divergências: deve-se tomar cuidado para que ceder opinião não signifique ceder poder de decisão.

Confuso ainda...