Nas poucas frases que li a respeito da “modernidade líquida”, dei-me conta do problema que nós criamos em acelerarmos tantas mudanças, em tentarmos normatizar cada aspecto de nossas vidas, em conciliar previsão com novidade.
Se por um lado planejamos e utilizamos super ferramentas para calcular tudo, por outro lado há uma parte de nós que precisa sempre inovar e defrontar-se com o inesperado. Do contrário, a mesmice gera o tédio!
A vida pode ser simples, como já foi, talvez pelo tempo despendido nas atividades que garantiam o básico: alimentação, educação, arte e prosa- não se pensava que repetir a rotina era tediodo. Afinal, tamanha a convivência das pessoas enchia os espaços da vida e lhe dava significados.
Hoje, com laços fortes sendo mínimos, com os complicados estudos, as complicadas tarefas de trabalho e a tecnologia desafiadora e renovada em pouco tempo, parece que as coisas simples da convivência passada ficaram pequenas demais.
Aí resolvemos criar mais problemas pra nós mesmos. Pedimos mudanças constantemente, pedimos um pouco do imprevisível pra termos com o que nos preocupar. Do contrário, não sabemos o que fazer.
Arrisco a dizer que as relações entre alguns jovens se tornanram tão perigosas, negociando suas próprias vidas por nada, porque sentem necessidade de serem mais intensos; mais vivos. E já não sabem mais como fazer (ou sentir) isso em pequenas doses.
Há que beber demais, dirigir rápido demais, arriscar demais, comprar demais, trabalhar demais... pq não damos conta do silêncio, da natureza em sua simplicidade calma, da vida dos passeios e janelas. É tedioso por ser quieto demais.
Mas o mesmo texto que me inspirou perguntava: “até quando o homem dará conta das suas próprias criações?”. Talvez a necessidade de mudança que nos trouxe até aqui possa ser capaz de ser usada para si mesma.
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