Antes e Depois
Existe um antes e um depois do dia 2 de janeiro.
O antes era o tempo em que ver jornal com meu pai era difícil porque ele falava o tempo todo, comentando cada notícia e, assim, não deixando que ouvíssemos a próxima.
Era o tempo em que mesmo sempre dizendo primeiro "não", papai repensaria e animaria de fazer algum passeio.
Era o tempo em que eu podia ser brava com ele, motivar-lhe a fazer alguma atividade física por meio da pressão militar.
Era o tempo em que ele talvez moraria numa casa, pra ter cachorro. Mas mesmo não morando, ele ia lá todo dia, ver os passarinhos.
Tempo em que os olhos e a fala estavam sempre prontos pra cantar uma mulher ou invocar tal situação, fazendo raiva na gente.
Tempo de cantarolar sambas e assobiar como os passarinhos.
Mas aí veio o dia 2 de janeiro, um AVC leve, e depois dele, o silêncio tem prevalecido.
Agora ele fala baixo.
Evita falar e não gosta de repetir o que disse porque é difícil.
Diz as palavras com cuidado, tentando acertar de primeira a pronúncia.
Descobriu que está mais velho do que sente e aí, passou a se sentir mais velho do que é.
Tem medo. E nós também.
Mas foi no dia 2 de janeiro. Logo depois de reveillón. O tempo é de esperança.
E é assim que vamos levar as coisas.
Com esperança de que ele ainda vai falar muito na hora do jornal
Esperança que ele vai assobiar pros passarinhos e ter a casa com cahorro.
Mais do que tudo: esperança de que ele vai ver a família cresce.
O antes era o tempo em que ver jornal com meu pai era difícil porque ele falava o tempo todo, comentando cada notícia e, assim, não deixando que ouvíssemos a próxima.
Era o tempo em que mesmo sempre dizendo primeiro "não", papai repensaria e animaria de fazer algum passeio.
Era o tempo em que eu podia ser brava com ele, motivar-lhe a fazer alguma atividade física por meio da pressão militar.
Era o tempo em que ele talvez moraria numa casa, pra ter cachorro. Mas mesmo não morando, ele ia lá todo dia, ver os passarinhos.
Tempo em que os olhos e a fala estavam sempre prontos pra cantar uma mulher ou invocar tal situação, fazendo raiva na gente.
Tempo de cantarolar sambas e assobiar como os passarinhos.
Mas aí veio o dia 2 de janeiro, um AVC leve, e depois dele, o silêncio tem prevalecido.
Agora ele fala baixo.
Evita falar e não gosta de repetir o que disse porque é difícil.
Diz as palavras com cuidado, tentando acertar de primeira a pronúncia.
Descobriu que está mais velho do que sente e aí, passou a se sentir mais velho do que é.
Tem medo. E nós também.
Mas foi no dia 2 de janeiro. Logo depois de reveillón. O tempo é de esperança.
E é assim que vamos levar as coisas.
Com esperança de que ele ainda vai falar muito na hora do jornal
Esperança que ele vai assobiar pros passarinhos e ter a casa com cahorro.
Mais do que tudo: esperança de que ele vai ver a família cresce.
Marcadores: Do lado de cá

2 Comentários:
Carol,
espero que seu pai se restabeleça logo e possa brincar comigo "(doença) ISSO NÃO TE PERTENCE MAIS".
Um beijo,
Jack.
Putz!!! Ele já tá em casa? Como ele tá? Não é possível que o S. Santos sofreu uma coisa dessas... Foda : /
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